domingo, 16 de janeiro de 2011

DEPRESSÃO PÓS BALADA

Pois é...

Acho que toda mulher de 30 (ou quase 30, como é o meu caso), já passou por isso.

Quem tá acostumado a sair desde a adolescência, ainda mais morando em uma cidade como a minha - que embora seja interior, tem lá os seus mais de 300 mil habitantes - é provinciana ao extremo e parece a "festa da linguiça": tem pouquíssimos lugares para ir e você encontra sempre a cidade "inteira", tem os seus dias de arrependimento quando sai para balada, achando que "não pertence mais a esse mundo".

Fazia tempo que não ia para a balada e estava até animadinha,confesso. Porém, Deus me livre! Parecia a reunião das pessoas vazias.

Não, gente. Não me acho "intelectual" demais e nem vou para a balada "filosofar". Vou para me divertir com as amigas, beber, dançar, ouvir música, cantar.

Só que hoje estava fora do normal. Saí para fumar e era um festival de homem bêbado, sem noção, daqueles que acham que a mulherada tá ali para "troca". Explicando melhor: vem cara te oferecendo bebida, pulseira do camorote, cigarro.. Sai fora!!! Não sou dessas. Um cara até estranhou porque não perguntei onde ele morava e o que fazia... Tenha dó!!!

Você vê o desespero estampado na cara das pessoas. Todo mundo tá ali para se divertir, mas é fato que a grande maioria (para não generalizar) traz no peito a esperança de encontrar alguém. Que seja por uma noite, que seja para não dizer que zerou na balada, que seja porque está carente, que seja porque se sente sozinho. Como já diria Arnaldo Jabor: "A solidão é o mal do século".

Sempre fui a "esquisita" da balada. Aquela que vai para se divertir e não tem "saco" para "papinhos de aranha" e "conhecer gente". O mais engraçado é que meus dois últimos namoros começaram com "ficadas" na balada. Mas que fique bem claro: eu já os conhecia antes da "noitada".

Não acho errado conhecer ninguém na balada, não é isso. O que quero dizer é que está cada vez mais difícil conhecer alguém que agregue nesses ambientes. Ali a "máscara" social pesa tanto que mais parece um capacete.

As pessoas incorporam personagens, pessoas que até possam ser legais se mostram fúteis, chatas e por vezes inconvenientes. Difícil.

Eu, por exemplo, se tivesse que me apresentar para alguém que acabei de conhecer na balada, diria o que? O meu nome, claro. A minha profissão. Onde moro. O que faço da vida. Meus gostos musicais (afinal, ali o som está rolando). Nada além disso.

Gente, helloooooooo!!! Minha profissão não me define, onde moro não me define, as roupas que uso não me definem. Isso é apenas uma ínfima parte de quem é a Luciana.

Pegação para diversão não combina com papo cabeça? Acho certo e justo. Porém, mulheres de 30 que curtiram bem a sua adolescência, uni-vos! Quem, na nossa idade, tem saco para "adolescência tardia"? Para ouvir historinhas surreais e homem contando vantagem achando que vai impressionar? Eu é que não tenho.

Pode e deve ser impressão totalmente MINHA. Então agora eu vou falar por mim: Daqui 4meses eu faço 28 anos, terminei a faculdade, tenho ainda minhas aspirações profissionais (mas tenho a minha profissão), tive 2 namoros sérios (o primeiro não conta... rs), pago minhas contas embora não seja ainda independente financeiramente (moro com os pais, né)... Mas não tenho cabeça para "vc quer que eu pegue um copo para vc tomar a minha vodka 'Absolut'" ou outra conversinha besta qualquer.

Também não vejo graça em ficar trocando telefones e torpedinhos com alguém que não tem um pingo de interesse em saber quem eu sou ou que não me cause nenhum interesse fora o seu "rostinho bonito". Desculpe, mas inteligência me atrai mais que beleza.

Não estou interessada em saber quanto peso você levanta e quantas claras de ovo você come. Não estou interessada em saber sobre suas férias na Europa e a "balada louca" de Amsterdã (vou me interessar muito mais pelos locais bacanas que vc conheceu, as baladas eu dispenso) ou "o quanto você ficou chapado em Fortaleza". Ou o carro zero que você comprou. Gosto de pessoas interessantes, com conteúdo. Acho que é isso que falta no mundo.

Para aquelas que estão como eu, solteiras, descrentes, mas que se recusam a se contentar com pouco (porque já me basta o meu dedo podre para escolher homem), vamos nos unir em muitos pensamentos e vibrações positivas para cortar essa maré de azar que consiste em chegar em casa arrastando o salto do seu sapato lindo e tirar a maquaigem com aquele sentimento de frustração do peito...

(Mas que estou cansada dessa vida, estou).

Beijo.

2 comentários:

  1. Embora eu tb vá nesses lugares, sei que em algum momento encontraremos algumas exceções. Agora o mal de caras do tipo que vc citou, é tb achar que toda mulher curte o que eles curtem! Eu tb sou chatinha, e se estiver no meu "melhor" dia não faço muita questão de esconder isso heheheheh
    Bjs!

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  2. Bem!... Apesar de meus 10 anos mais jovem,concordo com você. Não lembro do livro que li,mas falava : " Hoje as pessoas estão mais ligadas a cargos para defini-las do que quem são as pessoas de verdade".
    me add,gostei do seu blog,não sei como fazer.

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