segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

E quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?

Eduardo E Mônica

Legião Urbana

Quem um dia irá dizer que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer
Que não existe razão?

Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque
Noutro canto da cidade
Como eles disseram

Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer
Foi um carinha do cursinho do Eduardo que disse
- Tem uma festa legal e a gente quer se divertir
Festa estranha, com gente esquisita
- Eu não estou legal, não aguento mais birita
E a Mônica riu e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar
E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa
- É quase duas, eu vou me ferrar

Eduardo e Mônica trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar
O Eduardo sugeriu uma lanchonete
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard
Se encontraram então no parque da cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de camelo
O Eduardo achou estranho e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo

Eduardo e Mônica eram nada parecidos
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
Ela fazia Medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês
Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
De Van Gogh e dos Mutantes
Do Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô
Ela falava coisas sobre o Planalto Central
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda estava
No esquema "escola, cinema, clube, televisão"

E, mesmo com tudo diferente
Veio mesmo, de repente
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia
Como tinha de ser

Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia
Teatro e artesanato e foram viajar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar
Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar
E ela se formou no mesmo mês
Em que ele passou no vestibular
E os dois comemoraram juntos
E também brigaram juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa
Que nem feijão com arroz

Construíram uma casa uns dois anos atrás
Mais ou menos quando os gêmeos vieram
Batalharam grana e seguraram legal
A barra mais pesada que tiveram

Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília
E a nossa amizade dá saudade no verão
Só que nessas férias não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo
Tá de recuperação

E quem um dia irá dizer que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer
Que não existe razão?




quinta-feira, 10 de novembro de 2011

NO MERCY

O blog é meu e eu escrevo o que eu quiser. Brava? Mandona? "O Dono da Bola" (como dizia o texro da Ruth Rocha)? Pode ser. Mas aqui é meu lugar para desabafos, foi para isso que ele foi criado. Se eu quisesse um blog "super popular", divulgava no meu facebook. Isso aqui é um lugar para eu me sentir melhor.

EU. Pronome pessoal, primeira pessoa do singular. EU, nível de identidade, de acordo com o alinhamento de níveis neurológicos apresentados pela PNL. EU. Simplesmente, eu. Vonatde férrea. Teimosia. Orgulho. Intensidade. Desabafo. Mas nada fixo, porque aceitei para minha vida que sou uma metamorfose ambulante e prefiro ser assim "do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo", como já cantava Raul.

EU. Brava. Hoje sim, MUITO BRAVA. Sem desculpas, sem atenuantes, sem palavras bonitinhas. EU. Indignada (ou não). EU. Com uma imensa vontade de de falar poucas e boas pra muita gente. EU. Que falo palavrão, que não sou tão "boazinha" e "ponderada" como muita gente pensa. EU. com defeitos e virtudes, como qualquer ser humano. EU, apenas e simplesmente, eu. Sem máscaras, sem freios, sem pudores, sem educação, sem decoro.

Eu. Eu, 28 anos, com conflitos, com dor na consciência (por "n" motivos que não sinto a menor necessidade de falar). Eu, advogada (me decepciono cada dia mais com minha profissão, mas me orgulho de ter sido disciplinada e humilde o suficente para prestar QUATRO exames de ordem até ser aprovada). Eu, 1,70 de altura, alguns quilos a mais que não queria ter (mas o tempo soube distribuir minha gordura além dos antigos e detestáveis depósitos: rosto, braço, barriga). Eu, que não caibo direito nas minhas roupas, mas me sinto profundamente feliz e feminina ao ver que os quilos a mais me deram peito e bunda. Eu, que me olho no espelho e não vejo mais ares de "menininha", mas que me acho uma MULHER bonita pra caralho (humildade é o cacete e auto estima todo mundo tem que ter, bando de hipócritas), cada vez mais parecida fisicamente com a minha mãe, uma pessoa que eu sempre achei linda e sempre ouvi de muitos o quão bonita ela era (e torcia mentalmente para ter puxado o mesmo fenótipo).

Eu. Que sei que minhas qualidades vão além de "rostinho bonito" e bunda grande. Eu, que sempre prezei qualidades, valores, caráter e embora saiba de minhas limitações, sempre busquei ser correta. Eu. Que fui mulher pra caralho - e sempre serei - nos meus relacionamentos, buscando ser compreensiva, companheira e carinhosa. Eu, que não passo por cima das minhas vontades e dou a cara a tapa quando o bicho pega. Eu. Que sou orgulhosa, vaidosa, insegura e competitiva.

Eu, que já me moldei inúmeras vezes pelos outros. Eu, que busco referências, que me comparo. Eu. Que não tenho um pingo de modéstia para dizer que sou inteligente. Eu, que não me falta - que seja apenas agora - humildade para dizer que sou futil. Eu. Que sem o menor pudor acredito que apesar dos meus defeitos faria qualquer homem feliz.

Eu. Simplesmente, EU.

E no meio de tantas qualidades que eu ACREDITO que EU tenha, só tenho uma simples e "singela" (porém nada educada) frase entalada na garganta: VAI TOMAR NO CU!!!!!!

Eu, que mais educadamente, faço uso uso de um trecho de uma música do Skank, que acho excelente e não me sai da cabeça:

"Assim ela já vai
Achar um cara que lhe queira
Como você não quis fazer.
Sim, eu sei que ela só vai
achar alguém pra vida inteira
Como você não quis.
Tão fácil perceber
Que a sorte escolheu você
E você cego nem nota"...


Sim, eu estou puta. E não é com quem passou. É comigo mesma,por ter me rebaixado a tanto. Todo mundo tem qualidades. Sim, eu sinto vontade de desabafar e corri essas linhas inúmeras vezes após botar o "veneno para fora". Eu, que vou dormir com a consciência tranquila e amanhãé mais um dia. Eu, que inda me sentirei incomodada por mais lagum tempo. Eu, que hoje me definiria como HONESTIDADE. Eu...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A Carta (verdades que precisam ser ditas)

Caro amigo:

Te escrevo esta carta, porque escrever, sobretudo, esclarece os meus pensamentos e me acalma.

Tenho andado muito pensativa estes últimos dias. Pode não parecer, talvez até para mim não pareça, já que sempre que penso em você eu acredito que tudo vai dar certo no final. Não sei se é intuição ou se é só minha vaidade e meu orgulho me dizendo que as coisas ainda não acabaram.

Minha razão, por outro lado, me diz que preciso mudar meus comportamentos e tomar atitudes que outrora não tomei, como me afastar e seguir com a minha vida. E aprender de uma vez por todas a colocar ponto final nas coisas. E, principalmente, a confiar em Deus, confiar na vida e confiar naquela voz interior que todos nós temos - e ela me diz que não é você.

Acaba comigo ver que ainda tenho as mesmas atitudes erradas, ainda mais quando prometi a mim mesma que tudo seria diferente dessa vez. Não me orgulho da minha impulsividade, muito pelo contrário: me entristece demais ver que ainda não consigo me controlar e frear meu gênio. Me entristece mais ainda te mostrar um lado meu que não quero mais para mim e venho lutando (ainda que sem oferecer muita resistência) para mudar. Não é esse tipo de mulher que eu quero ser, tampouco quero que seja essa a lembrança que você tenha de mim, de uma pessoa sem qualquer equilíbrio, que se deixa comandar levianamente pelas suas emoções.

Talvez você puxe a responsabilidade da minha impulsividade para você, mas acredite: Não é culpa sua, eu sou assim. Mas não quero mais ser. Talvez você seja o espelho, o meu teste de fogo, para eu aprender a me domar ou continuar repetindo os mesmos erros, o mesmo padrão.

Sei que as minhas atitudes neste período é que mostrarão se eu realmente sou a mulher por quem você se apaixonou. Afinal, projeção e paixão não são apenas palavras que rimam, são sentimentos que na grande maioria das vezes andam lado a lado de mãos dadas. E por duas vezes eu já mostrei uma parte sombria do meu ser. Não te culpo se você se assustar. Não posso garantir que isso nunca mais vai acontecer. Só posso dizer que eu não quero que isso aconteça novamente; eu não quero mais ser assim.

Talvez seja essa a hora da verdade, onde a luz de que todos somos formados passa a recuar para que a sombra - que faz parte de todo ser humano - possa aparecer. Infantilmente, eu diria que para dar certo com alguém eu precisaria de alguém que se apaixonasse pelos meus defeitos. Mas "amar até os defeitos" só acontece em letras de música e em romances sofridos de banca. A realidade é outra.

Minha vontade agora é pedir para que você continue segurando a minha mão enquanto eu tento mudar. Que você acredite em mim e não faça como os outros, que optaram pelos meus defeitos ao invés das minhas virtudes.

Talvez tentar consertar as coisas só piore tudo agora. De forma alguma quero que essa carta pareça mais um ato da impulsividade de que eu tanto quero me livrar. Entretanto, ela não deixa de ser um exercício de humildade - e para uma pessoa orgulhosa como eu isso é libertador. Não faço isso para parecer mais "boazinha" aos seus olhos. Faço isso por mim. Quero, do fundo do meu coração, ser uma pessoa melhor.

Não sei como encerrar essa carta, sempre tive sérios problemas em conclusão nas dissertações da época da escola e em concluir minhas peças no trabalho. Devo confessar que agora eu me sinto mais calma. Me sinto mais em paz.

Você me importa. E muito! E eu sou assim: preciso colocar para fora, de alguma maneira, o que eu sinto para me sentir em paz. Mas quero imensamente me livrar dessa impulsividade que me faz parecer uma louca descontrolada.

Por fim, gostaria de encerrar essa carta com um parágrafo que chamou muito a atenção enquanto escrevia estas linhas, talvez pela sinceridade (embora ela toda tenha sido extremamente sincera), talvez porque finalmente tenha conseguido enxergar com clareza esse turbilhão de sentimentos dentro de mim:

"Minha vontade agora é pedir para que você continue segurando a minha mão enquanto eu tento mudar. Que você acredite em mim e não faça como os outros, que optaram pelos meus defeitos ao invés das minhas virtudes."

É o que eu sinto de mais forte neste momento.

Com todo o meu amor,

Luciana

domingo, 16 de outubro de 2011

Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão

Noite estranha.

Mistura de engraçada, com reflexiva com preocupante. Nada sério. Eu estou bem, graças a Deus, mas uma amiga muito próxima terminou recentemente o namoro. Durante a conversa, veio o tema: Por que certas pessoas erradas passam pelas nossas vidas?

Há um tempo, li algo que dizia mais ou menos que durante a nossa vida passariam pessoas que nos tornariam preparadas para a chegada do "the one". Acredito nisso. A gente aprende (ou deveríamos aprender) alguma coisa no final de cada relacionamento. E é alguma coisa sobre NÓS MESMOS. Saimos (ou deveríamos sair) mais maduros, mais fortes.

Mas mesmo essa convicção não afasta a perguntinha básica de todo fim de namoro (ainda mais quando se está beirando os 30 e, teoricamente, deveríamos estar mais "ligeiras" e menos dramáticas): Por que, Jesus, eu quebrei a cara mais uma vez? E aí a coisa segue: Sou uma boa pessoa. Não traio meus namorados. Não sacaneio ninguém. Não tenho vocação pra piriguete. Por que só me aparece homem problemático?
Bem... Já me fiz essas perguntas muitas vezes. Hoje, voltei a refletir sobre elas porque me foram colocadas pela minha amiga. Citei a fase do preparo, conforme expliquei acima. Mas aí me veio o insight: Tem pessoas que vêm para nossas vidas com "prazo de validade". Melhor dizendo (até porque estamos falando de seres humanos, não de iogurte), tem pessoas que entram nas nossas vidas com um MOTIVO, mas quando não será atingido o objetivo desse motivo, a vida trata de "botar a fila para andar".

Um exemplo clássico é quando você é super bem intencionada com o "namorado-problema". Eu mesma já tive um que bebia demais e, com 30 anos nas costas, vivia numa eterna quinta série psicológica. Quis muito ajudá-lo (muitas vezes até a força - ENORME ERRO). Mas depois de muito sofrer nessa relação, aprendi que NÃO ADIANTA QUERER AJUDAR QUEM NÃO QUER SER AJUDADO. E ponto. Para ele a vida estava boa desse jeito. Paciência.

Para não ser injusta, ele também, em sua passagem pela minha vida, me ajudou. Acredito que ele tenha chegado para me manter "ali" no momento em que minha família mais precisou de mim. Longa história, mas para mim, essa foi a finalidade primordial dele na minha vida.

Aprendi, também, que não vale a pena gastar vela com defunto ruim. E isso não é só com relacionamentos amorosos não. Com amigos também.

Não se trata de se encher de prepotência e querer impor ao outro a vida que achamos que seria melhor - Cadê o respeito?- mas sim, da dor de ver pessoas queridas metendo a cara na parede e a criatura NUNCA se ajudar. E você ali, com urticária para tomar uma atitude, com boas intenções, de oferecer ajuda, conselho, colo, orientação, indicação de cartomante, sei lá. Porém, a criatura prefere seguir ali, batendo a cabeça sem sair do lugar.

Até mesmo por uma questão de respeito, acredito que o negócio é deixar a pessoa seguir "a estrada errada que seguiu com suas próprias leis". Entretanto, confesso que é da minha natureza ser muito solícita e tomar as dores de quem eu gosto. Então fico maluca quando vejo algum amigo sofrendo. Mas não adianta, tem pessoas que não se abrem, não querem ou não sabem pedir ajuda. E por respeito, deixe o cidadão bater cabeça, oras!

Se por vezes eu me sinto uma péssima amiga deixando a criatura caída no meio da estrada? Muitas! Mas não invadir o espaço alheio é uma imensa maneira de ajudar.

Tenho comigo que todas as pessoas que chegaram na minha vida, chegaram por alguma razão boa. Me trouxeram alguma coisa que me ajudou a me transformar na pessoa que sou hoje. Aqueles que souberam aproveitar o que eu tenho de melhor, bem. Estes me tem ao lado deles até hoje. Mas tem MUITOS que vieram com um motivo e não conseguimos atinmgir o objetivo. Nem eu, nem eles, nem ambos. Mas passaram por mim. E por alguma razão (que saiba ela qual seja ou não).

Em Tempo: Texto longo e meio sem nexo dedicado do fundo do meu coraçõazinho sarcástico (mas que não deixa de ser um bom coração) a todos os falsos, mentirosos, problemáticos e etc que "por algum motivo" cruzaram a minha vida. Eu sei que EU estou longe de ser perfeita, mas eu SEMPRE FAÇO O MEU MELHOR. O melhor de mim, pode ter certeza, vocês tiveram. Se não souberam valorizar, so sorry. Perderam uma grande amiga.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Está no seu controle?

Não sou flor que se cheire. Fato. Todo mundo tem um lado bom e um lado mau e, embora eu tenha inúmeras virtudes (como qualquer ser humano), tenho também inúmeros defeitos. Um deles é inerente ao fato de não conseguir levar desaforo para casa. Trocando em miudos: se você me magoa, eu vou dar o troco. Isso chega até ser uma coisa meio inconsciente: quando vejo, lá estou eu desferindo os maiores impropérios, ainda que o discurso conte com algumas inverdades, só para revidar. Péssimo, eu sei. Mas vamos ser otimistas: Tomar conhecimento é o primeiro passo para mudança.

Se eu tenho esse meu lado orgulhoso e vingativo, por outro lado eu não consigo ser rancorosa. Basta a pessoa me pedir desculpas que tudo volta ao normal e eu até me sinto uma megera por ter brigado.

Entretanto, não posso querer que o outro perdoe e esqueça tão facilmente quanto eu. E nessa eu venho começando a colher os amargos frutos das minhas birras: Eu falo o que quero e o que não quero e tem gente que se magoa, sim. E não tem pedido de desculpas que dê jeito na situação.

Eu tenho inúmeras justificativas para o fato da situação ter chegado aonde chegou, mas uma coisa tenho que reconhecer: eu tenho também a minha parcela de culpa. Vamos ressaltar que é uma PARCELA, ou seja, uma PARTE. Não se trata de mais uma vez buscar atenuantes para minhas atitudes, mas sim de não mais abraçar culpas por erros não são exclusivamente meus.

Eu sinto muitíssimo em relação à uma situação onde eu abri minha grande boca e dei um belo de um coice para descontar o meu orgulho ferido. Talvez a proporção que uma simples frasezinha com uma dose de "veneno" embutida, só para a criatura se sentir tão mal quanto eu fiquei, tenha sido mais "astronômica" do que eu posso supor. Mas, por outro lado, não posso ficar me jogando na frente da pessoa, como se eu fosse um tapete, para esta passar por cima de mim, numa vã tentativa de autopunição, porque eu dei vacilo. Tampouco posso exigir que o ser humano me desculpe pelas minhas duras palavras e tudo volte ao sstatus quo ante .

A situação incomoda, me sinto péssima, não diria nada daquilo novamente, mas aí entra a libertadora frase do título deste texto: Está no meu controle fazer com que essa pessoa me desculpe e que as coisas voltem a ser como eram antes? Não! Não está. Me sinto mal, me sinto péssima, me sinto uma jaburuçu por ter afastado uma pessoa que me é tão cara. Mas não mais vou carregar a cruz (ou parte dela) que não me pertence.
Como diria minha sábia vó, eu "entrego para Deus". A minha parte eu fiz. Não está no meu controle a atitude do outro.

E a vida segue...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Ação x Reação

Voltei...
Eu preciso escrever para organizar meus pensamentos. Fato. E muita coisa anda acontecendo e se passando no meu "Fantástico Mundo de Bobby"... rs.

Depois de vários treinamentos que fiz para "me tornar uma pessoa melhor", como eu costumo definir, não acho coerente ter as mesmas atitudes de outrora. Antes eu era impulsiva e me expressava pessimamente. Ou eu apelava (porque não tinha a menor paciência) ou eu apelava (porque ia "aguentando" a situação até ela se tornar insuportável). Além da impulsividade, eu tinha um lado omisso - sabe aquilo "não quero magoar quem eu gosto"??? - Pois é, era por aí.

Nessa fase pós treinamento, vi a importância de relevar. Mas relevar o que me incomoda ainda é muito difícil.

Hoje me vejo numa encruzilhada: O que fazer com o que me incomoda? Relevar??? Esperar??? Ignorar??? Difícil.

Odeio guardar as coisas para mim. Odeio. Mas como falar? Será que o que eu vejo condiz com o que os outros enxergam???? Parece conversa de maluco, mas lembrando que vivemos em sociedade e algumas pessoas nos são caras, é natural ter questionamentos assim (pelo menos eu acho) quando o que nos incomoda está relacionado diretamente ao outro.

Nessa fase de esperar e refletir para não "agir como antigamente", me questiono se não estou fazendo as mesmas coisas de antes: ser omissa, reagir, ao invés de ter uma atitude proativa... Não, eu não quero mais ter que reagir as circunstâncias. Mas também não quero mais ter como predicado alinhado ao meu nome (e principalmente a minha vida) a impulsividade.

Ok, de todas as minhas dúvidas, uma já sanou. Ação ao invés da reação. Mas detecto um sentimento de antigamente: a necessidade da certeza. Tudo o que eu quero é que termine bem. Um sentimento nobre até. Mas a verdade é dura e uma só: Na vida não há garantias.

O incomodo é maior que o risco (pelo menos no meu caso). E eu já deveria ter assimilado: Tem coisas que não estão no meu controle. Se serei mal interpretada ou não é o maior dos exemplos.

Ação ou ainvés de reação. E se o resultado não for "a paz mundial" - é isso que eu espero - sei que reagirei de forma diferente de antigamente.

Iluminai-me, entidades da PNL neste momento!!!! kkkkkk

Até alguns meses querido blog!!!!

domingo, 16 de janeiro de 2011

DEPRESSÃO PÓS BALADA

Pois é...

Acho que toda mulher de 30 (ou quase 30, como é o meu caso), já passou por isso.

Quem tá acostumado a sair desde a adolescência, ainda mais morando em uma cidade como a minha - que embora seja interior, tem lá os seus mais de 300 mil habitantes - é provinciana ao extremo e parece a "festa da linguiça": tem pouquíssimos lugares para ir e você encontra sempre a cidade "inteira", tem os seus dias de arrependimento quando sai para balada, achando que "não pertence mais a esse mundo".

Fazia tempo que não ia para a balada e estava até animadinha,confesso. Porém, Deus me livre! Parecia a reunião das pessoas vazias.

Não, gente. Não me acho "intelectual" demais e nem vou para a balada "filosofar". Vou para me divertir com as amigas, beber, dançar, ouvir música, cantar.

Só que hoje estava fora do normal. Saí para fumar e era um festival de homem bêbado, sem noção, daqueles que acham que a mulherada tá ali para "troca". Explicando melhor: vem cara te oferecendo bebida, pulseira do camorote, cigarro.. Sai fora!!! Não sou dessas. Um cara até estranhou porque não perguntei onde ele morava e o que fazia... Tenha dó!!!

Você vê o desespero estampado na cara das pessoas. Todo mundo tá ali para se divertir, mas é fato que a grande maioria (para não generalizar) traz no peito a esperança de encontrar alguém. Que seja por uma noite, que seja para não dizer que zerou na balada, que seja porque está carente, que seja porque se sente sozinho. Como já diria Arnaldo Jabor: "A solidão é o mal do século".

Sempre fui a "esquisita" da balada. Aquela que vai para se divertir e não tem "saco" para "papinhos de aranha" e "conhecer gente". O mais engraçado é que meus dois últimos namoros começaram com "ficadas" na balada. Mas que fique bem claro: eu já os conhecia antes da "noitada".

Não acho errado conhecer ninguém na balada, não é isso. O que quero dizer é que está cada vez mais difícil conhecer alguém que agregue nesses ambientes. Ali a "máscara" social pesa tanto que mais parece um capacete.

As pessoas incorporam personagens, pessoas que até possam ser legais se mostram fúteis, chatas e por vezes inconvenientes. Difícil.

Eu, por exemplo, se tivesse que me apresentar para alguém que acabei de conhecer na balada, diria o que? O meu nome, claro. A minha profissão. Onde moro. O que faço da vida. Meus gostos musicais (afinal, ali o som está rolando). Nada além disso.

Gente, helloooooooo!!! Minha profissão não me define, onde moro não me define, as roupas que uso não me definem. Isso é apenas uma ínfima parte de quem é a Luciana.

Pegação para diversão não combina com papo cabeça? Acho certo e justo. Porém, mulheres de 30 que curtiram bem a sua adolescência, uni-vos! Quem, na nossa idade, tem saco para "adolescência tardia"? Para ouvir historinhas surreais e homem contando vantagem achando que vai impressionar? Eu é que não tenho.

Pode e deve ser impressão totalmente MINHA. Então agora eu vou falar por mim: Daqui 4meses eu faço 28 anos, terminei a faculdade, tenho ainda minhas aspirações profissionais (mas tenho a minha profissão), tive 2 namoros sérios (o primeiro não conta... rs), pago minhas contas embora não seja ainda independente financeiramente (moro com os pais, né)... Mas não tenho cabeça para "vc quer que eu pegue um copo para vc tomar a minha vodka 'Absolut'" ou outra conversinha besta qualquer.

Também não vejo graça em ficar trocando telefones e torpedinhos com alguém que não tem um pingo de interesse em saber quem eu sou ou que não me cause nenhum interesse fora o seu "rostinho bonito". Desculpe, mas inteligência me atrai mais que beleza.

Não estou interessada em saber quanto peso você levanta e quantas claras de ovo você come. Não estou interessada em saber sobre suas férias na Europa e a "balada louca" de Amsterdã (vou me interessar muito mais pelos locais bacanas que vc conheceu, as baladas eu dispenso) ou "o quanto você ficou chapado em Fortaleza". Ou o carro zero que você comprou. Gosto de pessoas interessantes, com conteúdo. Acho que é isso que falta no mundo.

Para aquelas que estão como eu, solteiras, descrentes, mas que se recusam a se contentar com pouco (porque já me basta o meu dedo podre para escolher homem), vamos nos unir em muitos pensamentos e vibrações positivas para cortar essa maré de azar que consiste em chegar em casa arrastando o salto do seu sapato lindo e tirar a maquaigem com aquele sentimento de frustração do peito...

(Mas que estou cansada dessa vida, estou).

Beijo.