Fim de ano mexe muito comigo. Mas muito mesmo. Fico mais sentimental, mais boazinha... Porém...
Fora a "reflexão forçada" que todo final de ano traz, fico muito nostálgica. Saudades com motivos e "sem motivos". Mas daquelas descabidas mesmo, sem se saber de onde, de quem e porque. E tudo aflora esse meu lado: cheiros, músicas, até o clima!!!
Dizem que a gente sente saudade do que foi bom. Será? Bom, eu só sei que as saudades "racionalizadas" que sinto são sim de períodos muito felizes.
Não, a minha vida não está um horror, muito pelo contrário. Também não está um mar de rosas, mas o fato de caminhar e ver que as coisas estão se ajeitando naquilo que depende de mim dá uma sensação de paz e conforto imensas.
Entretanto, mesmo sabendo que a vida "é daqui pra frente" e que de concreto só temos o presente, como acomodar no peito essa sensaçãozinha que nos remete aos idos tempos??? Se alguém tiver alguma dica, me passe.
Falando em saudade, lembro de partes de um texto sobre "a dor da saudade", cuja autoria já vi remetida ao Miguel Falabella e, em alguns sites, à Martha Medeiros. Bem, não lembro do texto completo, nem sei ao certo de quem é a autoria, mas na falta de palavras para expressar esse sentimento que me arrebata nos últimos meses do ano, deixo o texto aqui:
Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua,
dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um irmão que mora longe.
Saudade de uma cachoeira da infância.
Saudade de um filho que estuda fora.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.
Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor,
Ou quando alguém ou algo não deixa que esse amor siga,
Ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.
Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Não saber se ela ainda usa aquela saia.
Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania
de estar sempre ocupada;
se ele tem assistido às aulas de inglês,
se aprendeu a entrar na Internet
e encontrar a página do Diário Oficial;
se ela aprendeu a estacionar entre dois carros;
se ele continua preferindo Malzebier;
se ela continua preferindo suco;
se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados;
se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor;
se ele continua cantando tão bem;
se ela continua detestando o MC Donald's;
se ele continua amando;
se ela continua a chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos;
não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento;
não saber como frear as lágrimas diante de uma música;
não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer;
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você,
provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...
Créditos ao google que me remeteu a página http://pensador.uol.com.br/autor/Miguel_Falabella/
Beijo
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